27/10/2012

Eleições: "escolhas" e escolhas



Será? E antes de chegar nessa máquina,
quem é que escolhe? Não é você...
Domingo (28/10/2012) é dia de votar num dos dois candidatos para prefeito, no 2º turno das eleições, e, independente da escolha feita, votaremos em alguém que já foi pré-escolhido, sem que ninguém pedisse sua opinião. E ainda temos que ouvir dos cidadãos-praticantes-da-mesmice que temos que votar, e VOTAR CERTO! ESCOLHER O CORRETO! Mas há mais duas opções, e boas: votar nulo ou votar em branco, que nos últimos anos vem sendo minhas escolhas preferidas. Revezo entre elas.

A única certeza que temos é de que votaremos num candidato dum partido corrupto, não interessa qual seja, PT ou PSDB, que têm no currículo: mensalões, privatizações self service, nepotismo, lobby e muita, mas muita injustiça. Esse é o quadro crítico.

Enquanto não tivermos tempo para nada, a vida ser um mero lance programado, uma eterna pressa que não chega a lugar nenhum, algo editado, faturado, creditado, debitado, um pacote a prazo, uma compra coletiva, um imposto imposto, uma terceirização, uma quarteirização, um BBB, uma franquia, um freelancer, um american way of life, um “curtir”/”compartilhar”, uma propaganda, um produto da moda, uma tendência, uma marca, uma logomarca (neologismo bizarro), um negócio da china, um fazer só para melhorar o currículo, uma Mega Sena, uma esperança eterna ("esperança" é praticar o ato de esperar, não é "ter fé"!), enquanto for um compromisso com o nada, principalmente na parte política, será assim: votaremos em alguém que já foi pré-escolhido.

Então quando for votar domingo, saiba que você está cumprindo um mero papel de cidadão, num teatro chamado sociedade democrática.

Democracia não é sinônimo de liberdade.


O sujo e o mal-lavado:
você escolherá o melhor ou o que fede menos?
E quem escolheu eles como candidatos, foi você?
Acho que não...

22/10/2012

O mau e velho “telefone sem fio”



Nem te conto...
   “Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra dita e a oportunidade perdida”.
    
Fiz uma pesquisa rápida na internet para saber quem é o autor dessa frase e, para minha não surpresa, um site mostra-a como de autor anônimo e outro como um provérbio chinês. Parei por aí. Com certeza existem outros sites que mostram essa mesma frase, mas com autorias diferentes. Ainda mais na era digital, onde tudo é reproduzido exaustivamente e sem o menor critério.

Acho que todo mundo sabe o que significa a expressão “telefone sem fio”: é quando algum acontecimento é relatado, quando a estória corre de boca em boca, e a cada vez que é recontada, ganha um novo detalhe, uma nova qualquer coisa, até que chega um momento em que o fato distorce de vez e, pior, vira verdade absoluta. E isso acontece porque não se costuma procurar fontes confiáveis, não se procura saber se os acontecimentos realmente aconteceram. Acredita-se na coisa do jeito que ela cai no colo. E as redes sociais, onde tudo se dissemina numa velocidade espantosa, vieram para ser uma extensão poderosa do “telefone sem fio”.

Nessa época de eleições aparecem montagens e mais montagens estampando as caras dos políticos mais notórios, dos que estão na moda, dos candidatos perpétuos. Cada um zoa o político que acredita ser “o corrupto”. Acho que por isso vemos montagens com todos eles.

Um chuchuzinho... no cu do
funcionalismo público. 
Uma montagem que me chamou a atenção foi essa ao lado, onde mostra a cara governador Alckmin e acima uma frase que, segundo a imagem, foi dita por tal político. Achei estranho não ter ouvido falar nada sobre isso, repercussão nenhuma disso. Está certo que os veículos de comunicação, principalmente os de São Paulo, protegem fortemente o PSDB e seu lobby empresarial, mas uma frase dessa não há amiguinho que a esconda. Os tucanos estão vendendo (dando) o patrimônio público faz tempo, estão botando na bunda do funcionário público, mas será que foi o geraldinho mesmo que disso isso?

Resolvi pesquisar na net se ele era mesmo o autor da frase. Para minha, novamente, não surpresa, descobri que não foi ele quem disse tamanha bobagem. A frase foi dita pelo governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), quando questionado sobre a greve dos professores em seu Estado, que já durava 24 dias (clique e leia). A frase é chocante e revela como os políticos, mais do que liberais, enxergam o patrimônio público. Triste.

Mas, não contente ainda com a descoberta, resolvi pesquisar mais um pouco e encontrei no YouTube a gravação em que ele diz, ao vivo, a famigerada frase, escute:

video


Agora: vendo a montagem feita com o governador Alckmin, lendo a matéria do governador Cid Gomes e ouvindo-o falar, pergunto: a primeira tem relação com a última? É dito a mesma coisa, ou será que há distorção? E o que o governador Cid Gomes disse, será que é tão absurdo assim?

Não voto em ninguém faz tempo, tenho repúdio pelo PSDB, que está liquidando o patrimônio público e detesto essa confusão ideológica que existe na política brasileira, onde o PSB (Partido Socialista Brasileiro) propaga ideias liberais.

Cid Gomes: peace and love
Faça amor, não faça fortuna.
O governador cearense tem certa razão em dizer que quem quer ganhar dinheiro, tem que ir para o setor privado, mas quando fala que quem está no setor público, tem que fazer o trabalho por amor, aí ele “força a barra”.

O “telefone sem fio” propagou a notícia, prejudicou ele, o governador geraldinho, e a quem leu também, porque se analisar cada mídia, vai perceber que cada um disse o que quis.

Procure sempre mais e mais fontes de informação, porque a verdade é só uma possibilidade.



Essa montagem apareceu na TL do meu Facebook hoje,
dia 12/09/13. As pessoas acreditam em qualquer coisa
que leem. Não fazem o mínimo esforço pra saber o que
é verdade ou não, no mundo das redes sociais.

14/10/2012

Polícia privada: milícia pública.



Calma, só vim dar tchau.
Em todo final de jogo de futebol acontece sempre a mesma cena: o arbitro (ou juiz, já que arbitrar é julgar) apita o final da partida e a polícia (do Estado) corre em sua direção para protegê-lo (do quê?). Essa cena, que já virou rotina, é, no mínimo, estranha: se você parar para pensar, é a polícia militar, o poder estatal, que é mantido com dinheiro de impostos, dinheiro público, protegendo alguém dentro de um evento privado, um evento que, no meu entender, os clubes ou a federação esportiva que a rege é que deveria pagar por essa escolta. Mas no Brasil as coisas são diferentes: o Estado serve a uma elite que comanda tudo há muito tempo.

Nunca vi em jogo europeu a polícia entrar em campo para proteger ninguém. Claro que a cultura dos povos não é comparável, que a educação na Europa está muito mais avançada do que na América Latina, mas a questão não é essa: é o que fazem com o patrimônio público.

O panaca da apuração.
Assistimos uma cena bizarra no último carnaval: um cidadão (idiota) foi preso acusado de supressão de documentos, em plena apuração, ao vivo via TV. Quem leu, ou viu a notícia, imaginou algo como o mensalão, as CPIs, mas na verdade o que aconteceu foi que um indivíduo, revoltado com a apuração dos votos dos desfiles de carnaval das escolas de São Paulo, pulou o alambrado que o separava do júri, pegou os envelopes da votação e os rasgou. Nossa, que crime! Como todo desfile é pago para ser assistido ao vivo, no meu entender é um evento privado. Mesmo sendo uma festa cultural e tudo mais. O que a polícia estava fazendo lá? Fácil, obedecendo a ordens de superiores, barateando custos de produção. Protegendo o interesse de uma minoria elitista que tem interesse financeiro nesse acontecimento. As comunidades populares dão a vida para que essa festa aconteça? Legal, mas eles são meros laranjas. São os que menos, ou até nada, ganham.  

Choque cultural
O carnaval é uma festa popular? Beleza, é. Mas nos desfiles, que são pagos, e caros para serem assistidos, a segurança tem que ser privada. O poder público tem que agir na rua, no máximo.

Os jogos de futebol são onde essa distorção do poder público fica mais evidente. A polícia é responsável pela segurança pública, mas em eventos privados a segurança tem que ser privada. Usam a polícia como querem e lhe convém. A população só perde com isso. Dinheiro em evento privado é dinheiro na privada!

A polícia é a segurança da elite, terceirizada com dinheiro do Estado.

Até quando vamos assistir o patrimônio publico ser usado por uma minoria elitista e não vamos fazer nada? Eu sei a resposta: até quando quem manda quiser.

O brasileiro nem faz ideia do que esta acontecendo. No Brasil, a milícia é pública...


A milícia pública que age em favor da privada.